Se você tem um projeto de negócio na cabeça, precisa desenvolvê-lo para saber como colocá-lo em prática. Para isso, o primeiro passo é o planejamento

Estruturar uma ideia antes de investir tempo e dinheiro nela definitivamente aumenta as chances de sucesso do seu negócio. E o modelo Canvas é a ferramenta ideal para isso.

Se você tem um projeto de negócio na cabeça, precisa desenvolvê-lo para saber como colocá-lo em prática. Para isso, o primeiro passo é o planejamento, reunindo as informações sobre todos os setores da empresa em um único lugar.

Aprenda a fazer essa organização com a ajuda do Canvas e confira uma entrevista exclusiva com Marco Silvio Jaeggi, um dos cocriadores dessa metodologia.

O que é o modelo Canvas?

O Business Model Canvas (ou só Canvas) é uma ferramenta visual de gerenciamento estratégico, um quadro de modelo de negócios, como diz o próprio nome original. Em outras palavras, é um mapa no qual você detalha o que é preciso para colocar uma ideia em prática, estruturando todas as etapas do processo em um único lugar.

É um método prático, simples e divertido de administrar um negócio antes mesmo de ele se tornar algo concreto. Com o Canvas, você organiza as suas ideias e esquematiza maneiras de torná-las realidade.

Trata-se de um quadro dividido em 9 partes. Cada uma delas corresponde a um tema, um conjunto de tarefas.

Como usar o modelo Canvas?

Exemplo de quadro do método Canvas
Exemplo de quadro do método Canvas

Confira as 9 divisões e o que colocar em cada uma delas:

• Segmento de clientes

Eles são a razão do seu negócio e, portanto, precisam ser prioridade. Especifique o grupo para o qual você vai vender, o alvo principal

• Proposta de valor

É o diferencial, o valor subjetivo do seu produto. Faça um exercício: coloque-se no lugar do seu cliente e imagine as necessidades e dificuldades dele. Use a criatividade e busque inovar no seu propósito. 

• Canais

São os pontos de contato com a clientela que vão gerar vendas ou ao menos o conhecimento sobre a sua mercadoria. Locais físicos e virtuais onde consumidores e consumidoras poderão conhecer a sua marca e entrar em contato, como redes sociais, pontos de venda, sites, folhetos, entre outros.

• Relacionamento com clientes

É toda a comunicação com os consumidores, desde o primeiro atendimento até o pós-venda. Uma boa experiência de compra leva à fidelização e pode ser o grande diferencial da sua loja.

• Parcerias principais

Trata-se de tudo o que for realizado por terceiros, desde fornecedores a profissionais especializados ou instituições. Porém, algumas informações relacionadas acabam indo para outras áreas do quadro. Por exemplo, se houver comissão de venda ao parceiro, representa um gasto para o seu negócio. Logo, entra como Estrutura de custos

• Atividades-chave

É o tipo de negócio que você quer abrir, os produtos e/ou serviços que vai oferecer. E se você quiser inovar, pode criar um perfil no Instagram ou um blog com conteúdo relacionado ao que você vende. Por exemplo, se sua atividade-chave é a venda de cosméticos de várias marcas para pessoas com mais de 60 anos, pode ser legal criar uma página para dar dicas de beleza e estética voltadas a esse grupo.

• Recursos principais

É tudo o que você possui para viabilizar o seu negócio, tanto em estrutura física quanto humana.

• Estrutura de custos

Aqui entra tudo o que representa um gasto para a empresa, como compra de insumos, pagamento de aluguel, internet, água, luz, telefone, funcionários e investimento em publicidade.

• Fontes de receita

São as formas como o seu negócio vai ganhar dinheiro, de onde virão os recursos financeiros, como lucro com a venda de mercadorias ou financiamento privado.

Entrevista

O consultor Marco Silvio Jaeggi nasceu em 1958 na Suíça. Com ampla experiência empresarial na Itália, Reino Unido, Ásia e América do Sul, ele é um dos cocriadores do Business Model Canvas.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva que ele concedeu em 2020 ao Head of Growth da Kyte, Ivan Farias.

IF: Qual é a melhor forma de aplicar o modelo Canvas para pequenos comércios?

MSJ: Pequenas empresas possuem uma melhor chance de criar modelos de negócio vencedores quando colocam o cliente no centro de seus interesses. 

É importante que se responda à pergunta “por quais valores [da minha empresa] o cliente está disposto a me dar dinheiro?” A resposta não virá da cabeça do dono, ou do gerente da empresa, mas sim dos próprios clientes. Portanto, é importante perguntar diretamente a eles.

Para entender os valores da sua empresa, é importante interagir com o cliente e perguntar quais os objetivos dele – na área de atuação do pequeno negócio –,  quais os passos dados por ele para alcançar esses objetivos, quais deles geram benefícios e quais, ao contrário, criam problemas.

Esta informação, analisada apropriadamente, permite que você faça a segmentação dos clientes, completando, assim, o primeiro bloco do modelo Canvas. Uma vez que esses valores tenham sido comprovados, é possível dar continuidade ao quadro.

O Canvas pode ser útil em outras fases de um negócio? Por exemplo, em momentos em que a empresa não está com o desempenho desejado, o método pode ser uma forma de rever estratégias?

Eu acho o modelo Canvas muito útil para compartilhar o modelo de negócio com empregados e investidores, mas também com parceiros e fornecedores. Certamente, o Business Model Canvas é absolutamente útil para destacar as principais atividades e, consequentemente, os principais recursos necessários para garantir a entrega do valor que o cliente exige.

A resposta a perguntas como “pelo que o cliente quer pagar?” dá à empresa as informações necessárias para remodelar processos como consequência do modelo de negócios aplicado ao segmento de clientes. A interpretação inovadora da resposta ao pedido de valor determinará o sucesso do modelo de negócios.

Descobri que pequenos comerciantes às vezes pensam apenas em termos estratégicos. Eles têm dificuldade em aplicar estratégias no dia-a-dia. Na realidade, é de fundamental importância imaginar as principais atividades de forma inovadora e aplicá-las com excelência e resiliência.

Na sua opinião, há algum tópico em especial do quadro que seja determinante para preencher todas as outras seções e que deva ser o primeiro a ser pensado?

O primeiro elemento é crucial, mas apenas se ele der a percepção de valor do cliente. A segmentação pelo valor exigido permite atuar vigorosamente no mercado, obtendo os resultados esperados em volume de negócios e de receita.